sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dirigindo uma cegonheira

Maria José Marinho, uma goiana de 40 anos sai quase todos os dias do pátio da transportadora de veículos Transzero, em São Bernardo do Campo (SP).  Sempre maquiada e bem vestida. Tanta vaidade pode até não condizer com sua profissão, mas Tuca, como é mais conhecida, é cegonheira. Uma das poucas mulheres num universo de 3.500 homens que transportam carros recém-nascidos às mais distantes regiões do país.


Quando nos falamos ela tinha acabado de chegar de Gravataí (RS). Trouxe um carregamento de 11 Celtas da fábrica gaúcha da GM. No trajeto,ela nos contou que teve de desviar de fios de alta tensão e árvores baixas, e passar por ruas estreitas, e ainda logo na chegada ao pátio, Tuca precisou encarar uma missão aparentemente impossível: esterçar numa rua superestreita com uma carreta de 22,4 metros de comprimento e 4,7 m de altura –  quando carregada. Para complicar, a ruela estava repleta de caminhões. Mas com prática e experiência, ela não teve dificuldade. “Essa vida de artista não é fácil, não”, brinca.


Maria José Marinho caminhoneira - dirige uma cegonheira
E é preciso muito engenho e arte mesmo, pois os carros são transportados sem nenhuma proteção. Se houver qualquer dano à pintura dos veículos, poderá “sobrar” para a motorista. Tuca se garante: nunca entregou carro com defeito, exceto uma vez em que precisou jogar a carreta para a direita ao ser surpreendida por um “barbeiro” na contramão. Na arriscada manobra, um dos veículos na parte de cima teve a pintura arranhada. Ela teve de ir a uma delegacia para registrar boletim de ocorrência, procedimento padrão nas empresas de transporte. Em casos como esse, ou de roubo, a transportadora cobre o seguro do carro.


E com o pé, ou melhor, as rodas na estrada, é preciso ser rápido. O dia começa cedo e deve ser bem aproveitado, pois as restrições nas rodovias não permitem rodar com o caminhão carregado depois das 18 horas. “Tenho que andar bem, não posso perder tempo durante a viagem.” Palavra de quem pilota uma cegonha até 12 horas por dia. Os cegonheiros têm até sete dias para chegar ao local de entrega. Os motoristas demoram seis dias para entregar a carga no percurso mais longo, de São Paulo a Macapá, no Amapá - trajeto que inclui até balsa no rio Amazonas.


O traje para a operação de descer os carros da carreta. é jeans, camiseta, tênis e boné. No momento de descarregar, a dominação feminina fica quase explícita. Ali, é a mulher quem dá as ordens aos chapas (rapazes que ajudam na descarga dos veículos). Como a carreta deve ser operada, quais carros devem ser retirados primeiro...
Sem a ajuda dos chapas, ela levaria 45 minutos para descarregar tudo sozinha. Se você pensa que a parte difícil do trabalho é o tamanho do caminhão e o alto valor da carga, para ela não é bem assim. Tuca conta que o mais complicado é enfrentar a falta de infraestrutura dos postos de combustível nas estradas, que não oferecem banheiros e restaurantes de qualidade para os motoristas – menos ainda para uma dama. Muitos postos não têm sistema de segurança ou vigias, o que preocupa os cegonheiros. “Sempre me programo para parar em postos conhecidos, que tenham boas acomodações e sejam seguros.”


A estrada reserva muitas surpresas. Além das más condições de algumas rodovias, os motoristas têm de lidar com o risco de acidentes. Para quem está atrás do volante, a atenção tem de ser proporcional ao tamanho do veículo. Mesmo com cautela, Tuca não está imune. Há sete meses, sofreu um acidente a caminho de Curitiba (PR). Caiu numa ribanceira de 15 metros e ficou dependurada, por sorte com a cegonheira vazia. “Fui salva por Deus e o cinto de segurança”. Como prova de que as viagens são sempre imprevisíveis, fomos interrompidas no meio da entrevista pela filha do chefe de Tuca. Ela recebeu um telefonema do pai, que estava numa balsa desgovernada no rio Amazonas. Só mais tarde soubemos que os operadores da balsa haviam aportado em segurança.

Cabine, doce lar
Tuca nos contou também sobre a cabine do caminhão, onde passa grande parte de seu tempo. A cabine é local de trabalho e casa. Com direito a banco ajustável ao peso e altura, e o volante com regulagem de distância. Em sua frente ficam todos os botões de comando do “cavalinho” e da carreta. O ambiente restante é sua moradia. Para se sentir mais confortável, fez algumas adaptações: colocou uma cama maior com um colchão mais macio, além de um armário na parte superior da cabine, onde guarda roupas, sapatos e revistas de culinária.
 
Muito vaidosa Tucá sempre repete: “Não quero parecer um homem. Se tenho tempo, dou uma escapadinha no salão de beleza”. E sempre se lembra de seus João Vitor e Letícia, de 18 e 22 anos.


Apesar de já ter sofrido bastante preconceito desde que começou na profissão, há 13 anos, Tuca conquistou seu espaço num universo masculino. Mas não foi fácil. Uma vez ouviu de um colega que estava tomando o espaço de quem realmente precisa trabalhar. “Estou aqui porque escolhi e porque é mérito meu. Eu sempre quis fazer o melhor”, disse. Aliás, já foi alvo de preconceito até de mulheres. Chegou a perder o emprego por não ser aceita pela esposa do futuro patrão. “As mulheres têm ciúme de mim”, afirmou.

Mas hoje ela se diz respeitada e admirada por onde passa. “As pessoas ficam impressionadas quando me vêem dirigindo um caminhão tão grande.”
Nos contou que em seguida seguiria para Belém, no Pará. Com uma parada importantíssima no meio do caminho, em Goiânia. Para matar a saudade dos filhos, é claro.

“eu conheço cada palmo deste chão é só me mostrar qual é a direção quantas idas e vindas, meu Deus, quantas voltas viajar é preciso, é preciso...”
(“O Frete”, de Roberto Teixeira)



Por Nicole Azevedo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A revolução das mulheres idosas no século XXI


Um dos principais motivos de comemorar o dia 1° de outubro, dia internacional do Idoso, está no futuro. Nos próximos vinte anos, pesquisas apontam que mulheres maiores de sessenta e cinco anos obterão destaque e força no mercado consumidor.

As mulheres idosas podem até parecer frágeis, mas não são. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil, cerca de 37% das mulheres acima de sessenta anos são responsáveis pela renda familiar.Com mais autonomia, objetividade e independência econômica, elas mudam as regras da sociedade atual.

O mito da velhice como sinônimo de doença, solidão e dependência, deve desaparecer em breve, já que a expectativa de vida do ser humano deve chegar próxima aos cem anos.

Diante da melhor qualidade de vida adquirida com os avanços da medicina, elas levam hoje a vida de forma autônoma, conquistando a cada dia o igualitarismo. No futuro, certamente essas mulheres ocuparão lugares de destaque nas diversas esferas políticas, econômicas e sociais.

A idade da velhice será vista como a “idade do poder”

O cenário acima não é ilusório. Vem com base em pesquisa de cobertura internacional, entre elas está à que foi realizada pelo instituto Sodexho para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida no Cotidiano, que teve lançamento em todo o mundo em vinte e dois de setembro de dois mil, instituto esse, líder mundial no setor de alimentação e serviços que envolvem benefícios aos colaboradores de diversas empresas que trabalham com mulheres idosas.

O estudo, que envolveu mais de onze países, direcionará as ações da empresa ao seu público, como destaca Plínio de Oliveira, diretor geral da Sodexho do Brasil “Nossa maior meta é agregar ao conhecimento atual mais informações e dados, e principalmente levantar questões importantíssimas em nível internacional, chamando de um modo geral a atenção da sociedade civil”.

Nos próximos anos o Instituto Sodexho realizará duas pesquisas por ano sobre temas ligados a qualidade de vida no cotidiano, as expectativas e os comportamentos no presente e futuro da população de todo o mundo.

A instituição deve trabalhar em conjunto com diversos órgãos internacionais, como a ONU, UNESCO e OMS, além de estudiosos e pesquisadores de renome, dos onze países que estão na pesquisa: Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia.

No mundo existem cento e um milhões de mulheres com mais de sessenta e cinco anos, representando 19% das quinhentos e quarenta milhões de mulheres no mundo. Todos esses países acumulam 55% do PIB de todo nosso planeta, e suas idosas detém 5,3% do poder econômico.

Conforme a pesquisa, ocorreu uma grande melhoria na qualidade da vida dessa faixa etária nos últimos trinta anos. “Não estamos mais nos tempos das velhas, em 1970, para o tempo da Terceira Idade, nos anos 80, junto do tempo dos Seniors atuais”, explica Eloisa de Souza Arruda, Secretaria de Estado da Justiça do Estado de São Paulo. “Em 2020, alcançaremos a idade do poder, quando a vida profissional se encerrará apenas aos oitenta anos e as idosas será o centro da organização da sociedade” completa.

Crescimento e poder econômico

A resposta do estudo mostra uma verdadeira explosão não apenas da grande quantidade de maiores de sessenta e cinco anos em todo o planeta, os países que foram estudados o numero passou dos atuais 101 milhões para 168 milhões em 2020, mas também do poder econômico, político e social desse segmento.

De acordo com a Sodexho, o setor mundial de alimentos e dos serviços de benefícios para idosos está avaliado em mais de cento e quarenta e seis bilhões de Francos (21,5 bilhões de Euros), onde os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França representam próximo de dois terços desse mercado avaliado.

A esperança e visão da empresa é que, com o envelhecimento crescente da população feminina mundial, esse mercado continue a crescer chegando ao ano 2012, a 27% na Espanha, 13% no Reino Unido, 3% na França, 3% na Itália e 1% na Bélgica.

Nos Estados Unidos, o mercado em questão cresce três a quatro vezes mais rápido do que os hospitais tradicionais. Outro quesito que mostrou na pesquisa é que atualmente mais de 9% do mercado total de refeições e benefícios as idosas em todo o mundo são feitos por contratações terceirizadas internamente. Os mercados mais terceirizados são o Canadá (22%), França (19%) e Itália (19%). Nos países pesquisados aumenta o numero de moradias para mulheres idosas que optam pela terceirização. Para ter uma idéia do progresso e expansão desse mercado em questão, só na Holanda ele deverá crescer 302 % em 2012.

Os resultados do Brasil

 Recentemente foi feito um levantamento chegando à conclusão que atualmente, existem no Brasil 8,9 milhões de mulheres com idade superior a sessenta e cinco anos, representando 5,2% da população em um todo. Em aproximadamente vinte anos, esse segmento irá se multiplicar mais e será superior a 150%, atingindo cerca de 22,9 milhões de mulheres.

A quantidade de mulheres idosassuperior a oitenta anos triplicará, pulando de 1,3 milhão atualmente para 4,5 milhões. Ao chegar 2020, a mulher brasileira viverá em média 89,6 anos, batendo os 63,6 anos atuais, e os homens atingirão a expectativa de vida em torno de 82,2 anos, batendo os 70,4 anos de hoje.

Por Cesar de Paula

As mães e o mercado de Trabalho



Num mercado cada vez mais competitivo, as mulheres trabalham igual aos homens e busca sua equiparação, seu aperfeiçoamento profissional. Casadas e bem estruturadas percebem que é hora de ter filhos, ficando a dúvida de como a empresa vai receber sua decisão, já que, para algumas corporações isso se trata de aumento de contas e pode influenciar no orçamento da companhia com gastos de convênios médicos, creche etc.
          
 O período de gestação é tratado por algumas grávidas como uma enfermidade, que as impossibilita de fazer seu trabalho, mas que na verdade não tem nada a ver, a gravidez é um período e se fizerem todos os tratamentos não a nada que as impossibilitem. As empresas se prejudicam por não ter a colaboradora naquele exato momento no seu ambiente de trabalho dificultando no seu crescimento e em futuras promoções, fazendo com que o custo aumente em relação ao período anterior já que, o seu quadro de colaboradoras não está completo.
            
Segundo a Administradora de empresas Elaine Lecheche, diz que “de fato existem mulheres que se aproveitam da situação, do seu estado para conseguir ficarem alguns dias em casa, proveito próprio, mas que não podemos generalizar.”
      
Se tratando da perda da empresa no que se refere a sua economia, a empresa que atua no ramo do comércio perde dinheiro pelo fato de ter uma atendente (vendedora) a menos no seu quadro de colaboradoras que poderia contribuir no orçamento da empresa, mas que naquele momento não pode estar no seu ambiente de trabalho. Mas quanto ao valor que ela custa para a empresa (governo/salário) sendo o mesmo, pois cada funcionário custa o dobro para a empresa.
              
Conversando com a jovem Rosana Rodrigues da Silva, que está grávida de 5 meses e que trabalha como caixa em uma empresa, ela nos conta que “ eu nunca sofri nenhum tipo de discriminação, pelo contrário, aqui todos me ajudam, não deixam eu ficar abaixada para guardar alguma coisa, falam para eu não pegar peso, enfim ficam sempre me vigiando. Ela nos conta também que já ficou alguns dias afastada, mas que não passou de uma semana.
       
Fala também que quando ingressou na empresa na hora do recrutamento, tinha duas moças com ela e a entrevistadora perguntou se as mesmas já tinham filhos, final da história ela passou e as outras não.
      
Para a pedagoga Suzana Oliveira que nos diz que, discriminação não, algumas empresas exigem pessoas mais jovens e que tenham disponibilidade sem comprometer a família em se tratar se a funcionária sofre alguma discriminação por estar grávida, e por outro lado é de salientar que também é visto que mulheres que tenham filhos demonstram-se mais responsáveis.
Perguntando-se se ela acha que a mulher que possui filhos atrapalha na economia da empresa ela nos diz que, há empresas que se preocupam com o bem estar de cada um. E claro que terá um pouco de gasto, mas não é tão relevante, até porque todas as mulheres desejam ser mães, não podendo haver limitação.
        
Segundo pesquisa realizada pela consultoria Regus, em pleno século XXI uma preocupação jurássica dos empresários tem  vez quando a contratação de mães. A pesquisa mostra que a quantidade de empresas que pretendem contratar mais mulheres com filhos caiu em um quinto em relação ao mesmo período do ano passado.
             
Ainda referente a pesquisa em 2010, 44% das empresas pretendiam contratar profissionais com filhos, mas agora no inicio de 2011 somente 36% das corporações continuam pensando da mesma maneira.
             
Estatísticas que preocupam grupos e associações de mulheres, já que de modo geral, as estimativas de contratações no fim do ano costuma ser favoráveis nessa época acelerada da economia.
           
A economia cresce e com ela aumenta o número de mulheres que buscam a sua reintegração e emancipação perante a sociedade que dita que os homens são responsáveis pelo seu crescimento. Pensamento esse que ainda existe em pleno século XI, contudo que aos poucos vai sendo quebrado.
            
Mulheres essas, que sofrem com a violência doméstica, com maus tratos. Leis são feitas e elas se sentem mais seguras, como a Lei Maria da Penha, que leva o próprio nome da mulher que sofreu, mas que não perdeu sua dignidade e lutou pela sua implantação.
       
Os filhos fazem parte dessa grande virada de sua vida, pois quando a mulher se torna mãe, por mais jovem que seja ou inexperiente é impossível ela não se identificar com a nova fase de sua vida. O seu esforço em permanecer no trabalho e conseguir seu crescimento ultrapassa todas as etapas. Tornando-se a criança  fonte de inspiração para conseguir driblar todos os preconceitos que são impostos pela sociedade atual.



Por Ana Lima