quinta-feira, 26 de maio de 2011

As Mulheres atuantes no mercado de Tecnologia



O mercado de Tecnologia da Informação ainda tem participação feminina bastante reduzida, mas quais são as causas dessa realidade? Como se sente as mulheres que trabalham na área?

Tecnologia da Informação é um mercado relativamente novo, o primeiro computador surgiu há 65 anos. Tudo é inovação e o mercado muda com velocidade extraordinária. Aqui surge o primeiro problema e uma grande oportunidade: a mão de obra é escassa, um problema para as empresas e um mercado atraente e lucrativo para quem busca um emprego na área de tecnologia.

Onde a mulher se encaixa em tudo isso? Analisando a história na área de tecnologia da informação encontramos – Ada Lovelace – escrevendo instruções para uma maquina idealizada por Charles Babage em 1833, Lovelace é considerada a primeira programadora da historia, conceitos criados por ela são usados até os dias atuais para a criação de alguns programas.

Mas atualmente como está a participação delas na área de tecnologia? Há quem diga que a indústria de TI carrega um forte traço machista, não por preconceito, mas por herança cultural, já que a área de exatas sempre foi um campo masculino, no entanto nos últimos anos a presença feminina nos cursos de exatas vem aumentando e as empresas de TI têm buscando incentivar seu ingresso no mercado.

Quando perguntamos a que se deve a pequena participação da mulher no setor obtivemos das atuantes na área as seguintes respostas “é desinteresse mesmo, é natural que o curso de exatas receba muitos mais alunos que alunas, assim como os cursos de enfermagem e pedagogia recebem muitas alunas” – Roberta Arcoverde analista de sistemas da empresa RADIX. Na mesma linha seguem suas colegas Turah Almeida e Juliana Acchar que acrescenta “as mulheres são bem vistas no mercado já que são minoria”.

Para quebrar um pouco essa visão resolvemos conversar com os homens e ver qual a visão deles em relação das colegas no setor. Daniel Dias tem a seguinte opinião às mulheres sentem-se sim discriminadas por ser minoria, mas recebem melhor porque estudam mais. Essa preparação faz com que no mercado de “homens” as mulheres comecem a chefiar “na empresa que eu trabalhava tinha uma chefe” diz Dias.

Daniel Dias - Analistas de Sistemas - Arquivo pessoal                         

O setor segue a seguinte linha para cada dez trabalhadores na área um é do sexo feminino na visão de Dias “se uma empresa tem 500 funcionários, tirando as mulheres de outros setores 50 estarão na área de tecnologia.”
Levantamento da Catho online mostra o crescimento das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, no entanto na área de tecnologia atualmente são apenas 12,56%.

Mulheres x Mercado de Trabalho
Área
2011
Administrativa
45,61%
Comercial
30,17%
Tecnologia
12,56%
Relações Públicas
54,71%
Suprimentos/Compras
22,49%
Jurídica
37,05%
Industrial/Engenharia
16,32%
Recursos Humanos
60,86%
Medicina e Saúde
44,62%
Educação
65,76%
Turismo
52,20%


O fenômeno não é local, a falta de interesse nesse ramo de atividade é mundial, mas, existe mobilização das próprias mulheres que trabalham em tecnologia para incentivar o ingresso dessas no mercado, segundo alguns sites especializados.

Discriminação


Quando se analisa o mercado de TI a primeira pergunta que se faz é há discriminação masculina em relação à participação feminina no mercado? A analista de sistemas Juliana Acchar – RADIX afirma “Pessoalmente nunca sofri nenhum tipo de discriminação, vejo que há um tratamento igual para ambos os sexos e, se faltar conhecimento, será problemático para os dois lados também.

A realidade para as profissionais é que não há discriminação, são bem vistas por serem minoria, afirma Acchar talvez não seja uma opinião unanime mas a maioria das mulheres na área tem essa mesma visão.

E o interesse na formação e ingresso no mercado de tecnologia tem crescido? As respostas variam, Acchar acredita que o interesse não tenha aumentando, ao menos não significativamente e se impressiona “o curioso é saber que as mulheres são maioria nas redes sociais”. Pesquisa realizada pela Consultoria especializada em mídias sócias – Cmetrics revela que do 90% de internautas com perfis cadastrados nas redes sociais apenas 16% produz conteúdo e são na maioria mulheres entre 18 e 24 anos, a pesquisa foi realizada em dezembro de 2010 com 2,4mil internautas brasileiros.

Na visão de Almeida o interesse tem aumentado sim não só pelo desenvolvimento das redes sociais mas, pelo surgimento de diversas áreas como web, design, jogo, mobilidade.

O ingresso no setor conta com as mesmas dificuldades tanto para homens como para mulheres que devem ser flexíveis e estarem abertos as mudanças a analista Roberta Arcoverde ver até mais fácil o ingresso feminino pelo fato de o mercado ser carente de mão de obra feminina e as empresas sentirem necessidade de diversificarem suas equipes.

Para o futuro nas empresas de Tecnologia devido ao crescente interesse feminino no setor, esperam-se mais mulheres em cargos de chefia, já “as características femininas aliadas ao bom conhecimento técnico é a receita para o sucesso” afirma Juliana Acchar.


Por Cácia Oliveira

Mães Paulistanas recebem apoio da Prefeitura de São Paulo

O momento de dar a luz é único e especial para qualquer mulher. Infelizmente nos dias atuais muitas dessas gestantes não dispõem recursos financeiros para que o desenvolver da gravidez ocorra com tranqüilidade.


Diante de dificuldades, centenas de mulheres têm recebido assistência integral desde o momento do da fecundação até o nascimento do bebê, através do Programa Municipal Mãe Paulistana.


Créditos: Prefeitura de São Paulo


O principal motivo do programa é atender pessoas de baixa ou nenhuma renda, acompanhando de um modo geral os atendimentos prestados as gestantes no período pré e pós- natal e aos bebês, durante seu primeiro ano de vida.

O sistema disponibiliza atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios especializados e hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), como explica a médica obstetra Márcia Besteiro. “Todas as pacientes são acompanhadas de perto para que nenhuma delas deixe de realizar os exames necessários durante a gravidez.”

A especialista destaca que mensalmente são realizamos levantamentos dos atendimentos prestados de acordo com as unidades preparadas pelo programa, chegando a conclusão de existem cerca de oitenta mil gestantes em acompanhamento e são feitos quase dez mil partos por mês.

   A rede conta com 407 Unidades Básicas de Saúde, 34 Hospitais da rede SUS e 22 Ambulatórios especializados e a expectativa é conquistar mais recursos no decorrer dos anos como explica a coordenadora do Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini de Carvalho. “Já conquistamos muito, hoje, por exemplo, um dos principais benefícios do programa é o acompanhamento médico, as pacientes hoje têm onde dar a luz além de passarem antes do parto por no mínimo sete consultas durante a gravidez”.


Desde seu início, em março de 2006, a Rede de Proteção à Mãe Paulistana é considerado prioritário pela administração de acordo com o secretário-adjunto de Saúde, Nilson Ferraz Paschoa. "Quando falamos do programa, além da sua importância social inquestionável, estamos falando de números superlativos. Foram mais de 338 mil ultra-sons já feitos. E depois que o bebê nasce, no seu primeiro ano de vida, ele continua tendo consultas de reavaliação - essas já foram mais de 160 mil".
De acordo com o Nilson Ferraz, o projeto ainda atua em várias frentes. "Tudo começa pelo pré-natal, fundamental para garantir que o parto transcorra bem. O programa também facilita o acesso das gestantes ao vale-transporte: já foram mais de 260 mil cartões da SPTrans entregues, o que possibilitou mais de 1,9 milhão de consultas de pré-natal. Depois do parto - em que a mãe já sabe antecipadamente onde vai dar à luz -, ela recebe o enxoval, com 16 itens necessários nos primeiros meses. Então é um programa essencial e que vai continuar crescendo".

E o Secretario Municipal de Saúde da cidade de São Paulo, Januário Montone  ainda acrescenta. “Temos um objetivo na secretaria e no projeto até junho deste ano de 2011, estamos prevendo 60 mil nascimentos através do programa, e com a parceria firmada junto à divisão de assistência social poderemos acompanhar e ajudar nas necessidades que uma mãe precisa para ela e seu bebê recém-nascido. Hoje eu posso dizer que a media mensal de nascimento de bebês pelo programa e de 10 mil mensais, isso sem levar em conta as que não estão no programa”.

Ampliação e controle do Programa Mãe Paulistana

Fruto de uma lei criada pelo vereador Carlos Bezerra Junior o Rede Mãe Paulistana gerou uma grande melhoria na qualidade de vidas das gestantes de baixa renda como observa o político.“Nós temos uma população crente, muitas mulheres gestantes são companheiras de presidiários e não trabalham, não tem nenhuma fonte de renda eu já fui medico de periferia e na minha atuação que o grande publico eram gestantes, pude participar da realidade que essas “Mulheres de coragem” passam, muitas delas são agredidas diariamente por seus companheiros e não recebem apoio da família. Estou orgulhoso de ter criado uma lei a tratamento e acompanhamento digno que desde 2006, tem sido respeitado e cumprido pela Prefeitura do Município de São Paulo, através do programa Mãe Paulistana.”.
Um estudo do do programa mostrou que a queda de mortalidade materna e infantil na cidade, passou de 14% para 12,9% - a maior diminuição desde 2000.

A resposta do mapeamento e estudo mostrou uma verdadeira explosão não apenas da grande quantidade de gestantes cadastradas em todo o território paulista, os bairros que estão localizados na periferia que foram estudados e mapeados teve o resultado de um grande numero de gestantes que saíram da dependência química para o tratamento de suas gestações, o motivo esse que afirmaram ter recebido atenção e cuidado necessário para com suas gestações.

A esperança e visão do vereador Bezerra Jr. é que, com o crescimento e ampliação do programa e a crescente população gestante, esse programa tem tudo para serem expandidas em todo o estado de São Paulo, virando assim um programa estadual dedicado às mães de todo o estado.

A lei também garante o transporte gratuito para que as gestantes em hipótese alguma faltem as suas consultas de pré-natal, entrega de remédios durante a gravidez, exames de rotinas e avaliações. A solicitação e realizada junto a SPTRANS, empresa responsável por transportes no município de São Paulo, somente após o cadastramento no programa que e possível à aquisição do bilhete único “Mãe Paulistana”.


Os resultados do programa

Recentemente foi feito o levantamento chegando à conclusão que atualmente, existem no município de São Paulo, onde mais de 500 mil mulheres gestantes foram atendidas pelo programa, tiveram 94% de aprovação da população paulista, distribuição de mais de 500 mil enxovais, mais de 400 mil emissões de bilhetes únicos especiais do programa Mãe Paulistanas e mais de 300 mil inclusões no programa bolsa família com a parceria da divisão de ação social do município de São Paulo.


Por Cesar de Paula

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A reintegração das mulheres depois dos 40 anos de idade no mercado de trabalho

No Brasil existe o preconceito de que mulheres que passam dos 40 anos são consideradas velhas para ocupar certos cargos em determinadas empresas. Mas isso já faz parte de outrora, pois o mercado de trabalho vem crescendo a cada dia que passa e esse estereotipo está sendo quebrado, pois empresas estão contratando pessoas com mais idade, principalmente mulheres. E se tratando de outros Países, “a mulher de 40” como é chamada na música do cantor Roberto Carlos, é valorizada não por sua idade, mas por tempo de trabalho e pela sua capacidade de produzir e de conhecimento em determinadas áreas.

A busca pelo emprego e pela sua profissionalização começa a partir do momento em que muitas mulheres se separam ou o dinheiro da família fica escasso, tendo assim que sair de casa e procurar um acesso mais rápido no mercado de trabalho, uma vez que quando casada, as mulheres têm a necessidade de dar uma parada em sua vida profissional para cuidar dos filhos ou até mesmo a pedido do marido que não quer que a mesma trabalhe.

Como no caso da Técnica de Enfermagem Mara Borges de 58 anos, que nos conta como conseguiu se profissionalizar depois dos 40 anos, “fiz a oitava série depois o colegial e sempre tive vontade de fazer o curso de auxiliar de enfermagem, mas cuidava dos meus dois filhos e não tinha tempo, mas depois de um tempo quando eles já estavam independentes e já trabalhavam eu finalmente decidi fazer o curso, já que estava em uma idade em que o emprego era difícil, e as empresas não me contratavam pois não tinha experiência. Nesse meio tempo trabalhei em uma escola de Inglês em que os meus chefes eram amigos dos meus filhos, ficando fácil o ingresso no curso de auxiliar de enfermagem”. Mara nos conta que no começo, a sua família achou que se tratava apenas de um passa tempo, mas no final foram aceitando.

“Depois de um tempo acabei o curso e logo em seguida consegui trabalho no mesmo hospital onde tive minhas aulas práticas, fiquei um tempo como auxiliar e posteriormente me tornei Técnica de Enfermagem. Trabalho a oito anos no mesmo hospital, no ambulatório do SUS com cirurgia geral, cirurgia plástica, cabeça, pescoço e oftalmologista, comecei com 52 anos e dia 21/06 completo 59”, conclui Marta.

As mulheres mais experientes, geralmente têm a capacidade de resolver determinados problemas com cautela e iniciativa, são cuidadosas e estão dispostas a trabalhar, pois já tem uma família e precisam do trabalho. Em pesquisa realizada pelo Grupo Catho empresa de recrutamento e seleção, as mulheres conquistam cargos de direção mais cedo. Tornam-se diretoras, em média aos 36 anos de idade. Os homens chegam lá depois dos 40.

Ela está disposta a conseguir novamente seu crescimento, ainda que tenha que passar por uma redescoberta, mudando seus horários, procurando sempre se adequar. As mulheres experientes assim como as mais jovens passam por conflitos na hora de retornar ao trabalho, se deparam com novas ideias e pessoas. Ficam inseguras, se serão aceitas em seu novo ambiente de trabalho, ou se vão fazer as tarefas certas de acordo com o que o empregador quer.

De acordo com a psicóloga Andrea Senamo, gerente geral do departamento de pessoal de uma empresa multinacional, “esse pensamento de que a mulher que passa dos 40 anos de idade, não consegue mais trabalho, está mudando em relação aos anos anteriores, no Brasil a discriminação era grande, mas isso já faz parte do passado, basta ela querer seu espaço e buscar a sua independência no mercado de trabalho”. Ela também nos diz que quando começou a trabalhar na empresa o quadro de funcionários era mesclado, com colaboradores jovens e mais experientes, mas isso mudou com o passar dos anos.

Andrea Senamo acredita que a cada dia que passa, mais colaboradores maduros são contratados e ainda nos conta do projeto que implantaram na empresa desde o ano passado, que se chama “Projeto Talento da Maturidade”, no qual contratam colaboradores com mais experiência de vida, com objetivo de valorizar e reintegrá-los a sociedade, incentivando assim a descoberta de novos talentos, bem como oferecer oportunidades para que continuem ativos profissionalmente. Andrea finaliza a entrevista lembrando que na empresa onde trabalha não cabe a discriminação, pois todas as oportunidades são oferecidas aos mais jovens, maduros, negros e homossexuais sem nenhuma distinção.

Em se tratando da aceitação por parte dos mais jovens, as colaboradoras são bem recebidas e podem dividir suas experiências adquiridas ao longo da vida, carreira, troca de conhecimento com novas gerações.

Já para a Advogada e Socióloga, Heloisa Cestone que diz, “há empresas que sim, contratam mulheres acima dos 40 anos, dependendo do que buscam num profissional, pois pessoas mais velhas obviamente são muitas vezes mais comprometidas e responsáveis em relação ao trabalho realizado. Porém há vagas que não podem ser fechadas com pessoas desta faixa etária, pela imagem que a empresa quer passar, pelo trabalho a ser realizado, que pode muitas vezes exigir um esforço físico maior, onde sabemos que jovens executam melhor.”

Perguntei a ela se existe o preconceito na contratação dessas colaboradoras e ela nos disse “sim, ainda há o preconceito sobre esta contratação podendo ser pelo trabalho realizado, que pode exigir um esforço físico maior, por exemplo. Mas acredito que o preconceito maior é pelo fato de pessoas mais velhas, muitas vezes não saberem lidar com uma liderança mais jovem ou por ter uma opinião formada, tendo exigências maiores em relação às ferramentas de trabalho e assim por diante, não acredito que isso aconteça por julgarem não ter capacidade, mas sim por serem, muitas vezes, pessoas difíceis de lidar no cotidiano, mas é claro que não podemos generalizar”, conclui a advogada.

As mulheres são responsáveis pelo seu crescimento profissional, basta ela buscar sua equiparação.


Confira ainda entrevista com Dirce Vasssimon, gestora de RH da empresa Lucfor, sobre o assunto:
Entrevista com Dirce Vassimon by mulheresemfoco
Por Ana Virgínia