sexta-feira, 10 de junho de 2011

Mitos e Verdades sobre o câncer de mama

1. Algumas mulheres da minha família tiveram câncer de mama. Por isso, corro mais riscos.

Verdade - Ter mãe, irmã ou filha com câncer de mama aumenta o risco em 80%.

2. Não tenho histórico familiar. Nunca terei tumores nos seios.

Mito - Nenhuma mulher está imune ao câncer de mama. O risco básico de qualquer uma de nós desenvolvermos esse tipo de tumor é de 12%, mesmo sem casos na família.

3. Fazer mamografia todos os anos é necessário para detectar tumores.

Verdade - A mamografia é a principal forma de diagnóstico precoce da doença. Quem tem histórico familiar deve fazer o exame a partir dos 25 anos. As demais, após os 40. O diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura.

4. Emoções negativas como estresse, mágoas e raiva podem causar câncer.

Mito - “Nenhum tipo de câncer surge a partir de sentimentos negativos. Por mais profunda que seja sua mágoa, tristeza ou depressão, essas emoções não têm a capacidade de se transformar em tumores.

5. Faço o auto-estame, apalpando meus seios em busca de caroços. Não preciso de outros exames.


Mito - O auto-estame das mamas é uma prática positiva, que deve ser estimulada. Contudo, ele não é capaz de detectar vários tipos de tumores, especialmente aqueles em fase inicial, com maiores chances de cura.

6. Mulheres obesas ficam mais suscetíveis à doença.

Verdade - O excesso de peso é prejudicial porque o tecido gorduroso aumenta os níveis de estrogênio.

7. Anticoncepcionais que interrompem a menstruação são eficazes na prevenção do câncer de mama.

Mais ou menos - “Esse tipo de anticoncepcional tem sido altamente positivo no combate ao câncer de colo de útero. Contudo, em casos de câncer de mama, ainda não foi feito um estudo definitivo sobre a eficácia.

8. Praticar uma atividade física ajuda na prevenção.

Verdade - Cerca de 30 minutos diários de caminhada são suficientes. E a atividade traz benefícios extras: mantém os ossos fortes e a cabeça tranquila.

9. Próteses de silicone podem causar câncer.

Mito - Não há relação entre câncer de mama e próteses de silicone. O único problema é que o implante pode dificultar o diagnóstico de tumores.



Fonte: M de Mulher.com



Por Lidiane Neves

Mamografia ajuda na Prevenção do Câncer de Mama e mantém a Saúde em Dia


No dia vinte e nove de abril de dois mil e nove foi sancionada pelo ex- presidente Luis Inácio Lula da Silva, a lei que dá o direito as mulheres acima de quarenta anos a realizarem mamografia pelo Sistema Único de Saúde, o SUS.

Devido ao alto número de pessoas diagnosticadas com câncer de mama e também ao alto número de mortalidade nesses casos, foi percebida a necessidade da criação da Lei.

“O exame se tornou lei federal, pois as mulheres tinham muita dificuldade de acesso ao exame, então foi levada essa questão ao movimento de mulheres e as entidades que trabalham no combate ao câncer de mama para que de fato existisse uma política pública voltado para a saúde da mulher”, é o que aponta Ana Lúcia Cavalcante da Assessoria Técnica da Coordenadoria da Mulher. 

No Brasil, segundo o INCA (Instituto Nacional do Câncer) o câncer de mama é um dos tipos de câncer de maior incidência entre as mulheres, perdendo apenas para o câncer de pele. Além disso, ele também é o que mais mata no país.

Infelizmente grande parte das mulheres ainda tem medo da realização da mamografia, por dor ou algum tipo de preconceito, mas sabemos que a prevenção é o melhor jeito de se combater a doença, sendo detectada ou não, é o que diz a Ginecologista Ana Cláudia Veronesi, do Grupo Ana Rosa, “além da mamografia o auto-exame das mamas é muito importante para detectar precocemente o câncer de mama, pois ele é simples, fácil de realizar e não custa dinheiro. Grande parte dos nódulos de mama é descoberta pelas próprias pacientes durante o auto-exame das mamas. Outros exames também podem ser utilizados, como por exemplo, a ultrassonografia de mamas, contudo este exame não substitui a mamografia no diagnóstico precoce do câncer de mama e deve ser indicado pelo médico somente nos casos que o mesmo julgue necessário.”

Ainda nesse conceito sobre a importância da prevenção, encontramos um problema grave: A demora na marcação do exame. Infelizmente temos que conviver com essa triste realidade, pois o cenário que encontramos é um sistema de saúde precário que não suporta a quantidade necessária desse exame, sem contar a qualidade dos laudos.

A manutenção nos mamógrafos (máquina que realiza a mamografia) é essencial para um diagnóstico preciso, sem esse atributo é impossível que SUS atenda todas as demandas.

Temos a lei que garante o acesso ao exame, mas a dificuldade em realizá-lo é grande e muito se fala, que quando se detecta o nódulo, a urgência em se fazer a mamografia é de extrema importância. Para a dona de casa Carmen Santana de quarenta e sete anos, isso foi o que impactou em seu diagnostico, “No ano de dois mil e oito, detectei através do auto-exame, realizado durante o banho, um nódulo em minha mama esquerda. 

Infelizmente, além de não conseguir marcar uma consulta com mais rapidez no SUS, a mamografia teve que esperar dois meses para ser realizada, ou seja, depois desse tempo, foi realmente comprovado câncer maligno e o médico me disse que se eu tivesse realizado o exame na hora em que foi percebido o nódulo, a minha cirurgia não teria sido tão evasiva a ponto de retirar a mama inteira”.

Casos como esse acontecem diariamente, pois convivemos com um paradoxo, ou seja, ao mesmo tempo em que há uma lei que garante a realização do exame, ela é descumprida por falta de recursos e principalmente má administração desses recursos.

Em dois mil e dez foi lançado pelo Ministério da Saúde o Programa Nacional de Controle do Câncer de Colo do Útero e Mama. Como principais ações foram citadas: 
  • Força Tarefa para monitorar a qualidade de produção dos mamógrafos.
  • Criar financiamento específico para o exame de mamografia com qualidade para mulheres com 40 anos ou mais.
  • Só em 2011, serão realizados 3,8 milhões de exames – Faixa etária prioritária para o rastreamento será dos 50 aos 69 anos.
  • Garantir a manutenção e produção dos mamógrafos – Programa Nacional de Qualidade da Mamografia.
  • Criar 50 novos centos especializados em confirmação diagnóstica.
  • Financiar a ampliação dos serviços de confirmação diagnóstica nos hospitais credenciados ao SUS. 
  • $ 6,2 milhões adicionais por ano para aumentar a oferta de serviços de confirmação de diagnóstico e tratamento.

Reforçando o programa, em março deste ano, nossa presidente Dilma Rousseff, anunciou que para os próximos quatro anos serão investidos quatro bilhões e meio em prevenção ao câncer de mama e colo do útero. Resta saber se as brasileiras realmente terão acesso ao exame e com rapidez, já que estamos cansados de saber que o SUS (Sistema único de saúde) não é visto com bons olhos pela população. 

Por Lidiane Neves

Reprodução Humana ao Alcance de Todos


Nos últimos anos, a questão sobre a reprodução humana, tem sido alvo de polêmicas nos meios de comunicação e nos tribunais brasileiros. Isso porque o assunto não envolve somente uma questão pessoal ou jurídica, mas também religiosa. Vários debates acontecem em prol de uma solução mais rápida para esse problema, mas infelizmente sempre voltamos à estaca zero.

No Brasil há um crescimento expressivo do número de clínicas que realizam a reprodução humana em decorrência de uma grande demanda dos interessados, fato que justifica a urgência em legislar de forma a estabelecer critérios e responsabilidades aos profissionais que a utilizam, bem como resguardar os direitos das pessoas que investem esperanças e patrimônio na busca da realização do sonho de ter um filho. Felizmente já temos espalhados pelo país, alguns locais que oferecem o tratamento gratuito, a exemplo disso temos em São Paulo o Centro de Referência da Mulher. A história do centro começou em 1930, que inicialmente se chamava Cruzada Pró-Infância. Foi construída em parceria de Pérola Byington com a educadora sanitária Maria Antonieta de Castro. 

Em 1959 Pérola inaugurou o Hospital Infantil e Maternidade da Cruzada Pró-infância, para manter o funcionamento da Cruzada, Pérola mobilizou todos que pudessem ajudar, utilizando os meios de comunicação, divulgou os projetos e convocou a população a participar dos eventos de arrecadação de fundos. 

Anos mais tarde devido ao seu falecimento, em sua homenagem, o hospital recebeu o nome de sua fundadora: Hospital Pérola Byington que é hoje o Centro de Referência da Saúde da Mulher, administrado pela Secretária de Estado da Saúde. Segundo a Gerente do setor de reprodução humana do Pérola Byington, Graziela Buccini, a procura por esse tipo de tratamento só tende a crescer no país inteiro, “Devido ao acompanhamento psicológico que o nosso centro realiza cada vez mais os casais ou os solteiros nos procuram, porque esse tipo de suporte é essencial nesse tipo de consulta. Atualmente realizamos por ano cerca de 300 ciclos de fertilização assistida”, afirma a gerente.

Para você que gostaria de fazer parte do programa, as pacientes admitidas devem ter no máximo trinta e cinco anos de idade. E para fazer o agendamento, as pessoas devem ligar para o setor às terceiras quartas-feiras do mês, a partir das oito horas da manhã, pelos telefones 3104-2785 e 3112-1210. A consulta triagem deve ser marcada em nome da mulher, mesmo que o problema já tenha sido diagnosticado como fator masculino. É necessário dizer o nome completo, número do RG, data de nascimento, nome completo da mãe, endereço completo e telefones para contato.

Há, portanto, a necessidade de termos uma legislação urgente que trate do assunto, para acabar de uma vez, com as questões polêmicas existentes na atualidade. Mas sabemos que quando se trata de investimento financeiro, para algumas pessoas esse sonho se torna mais distante.

Feminismo e Política no Brasil

Arlene Martinez Ricoldi socióloga e pesquisadora da Fundação Carlos Chagas
No Brasil

No Brasil os movimentos sociais têm forte conotação marxista e o feminismo também. As primeiras feministas de que se tem conhecimento são Francisca Amália de Assis Faria, Anna Benvinda Ribeiro de Andrade, Narcisa Amália, Maria Thomásia e a compositora carioca Chiquinha Gonzaga que lutavam não só pela liberdade das mulheres mas, também pela abolição da escravatura, isso no Rio de Janeiro.

Em 1838, no Rio Grande do Norte, a abolicionista Nísia Floresta conseguiu criar a primeira escola exclusiva para meninas e 1906 ocorreu o primeiro Congresso Operário Brasileiro onde ficou definido que as mulheres deveriam se organizar em sindicatos; Em 1917 as mulheres tiveram o direito a ingressar no serviço público, dois anos depois a OIT aprovou salários iguais para trabalhos iguais nesse evento e as brasileiras Bertha Lutz e Olga de Paiva Meira participaram.

A primeira onda do feminismo no Brasil, influenciado pelas feministas estrangeiras, busca o direito ao voto e é organizada pelas sufragistas, que não foi somente um fenômeno nacional, mas também mundial. A conquista do voto ocorreu em 1932 e no ano seguinte as mulheres puderam votar e serem votadas, assim foi eleita a médica Carlota Pereira Queiroz a primeira deputada federal. No ano posterior, a Assembléia Constituinte assegura o principio da igualdade entre os sexos, a regulamentação do trabalho feminino e igualdade de salários.

Mesmo com muitas conquistas na primeira fase o movimento não tem muita visibilidade. Com a instalação do Estado Novo, os movimentos sociais sofrem grande repressão, no entanto os movimentos não morrem e então surge a Federação de Mulheres do Brasil, no Rio de Janeiro, com isso as mulheres começaram a se organizar politicamente.

Em 1970 tem início a segunda onda do feminismo no auge das lutas sociais contra a ditadura, onde mulheres queriam ser consideradas como soldadas nos frontes contra a repressão, no entanto o tratamento dado a elas era ainda de sexo frágil ligado a trabalhos frágeis. Nessa época, o movimento feminista teve forte influência francesa e americana
Em entrevista a pesquisadora do Grupo Carlos Chagas Arlene Martinez e autora de diversos estudos sobre feminismo, dentre eles “Articulação Trabalho e Família: Famílias urbanas de baixa renda e políticas de apoio às trabalhadoras” e “Revendo Estereótipos: O papel dos homens no trabalho doméstico”, nos fala do feminismo no Brasil e das lutas atuais na busca por igualdade de sexo.

Para Arlene, as feministas brasileiras geralmente eram mulheres da elite que tinham acesso a educação, à leitura, falavam em língua estrangeira, viajavam e mantinham contato com outras militantes de outros países e criavam obras para o feminismo. O seu auge ocorre durante a ditadura militar, pois aproveitaram a grande comoção nacional por democracia para também reivindicar por seus direitos.

“Na década de 70, ocorre à grande segunda onda do feminismo brasileiro, mas as ações continuam, só não aparecem. Quando aparecem, as pessoas dizem que estão em voga, mas os movimentos continuam, eles têm picos por determinados movimentos políticos”, afirma Arlene.

Martinez esclarece que no final da década de 70, existiam dois movimentos distintos, mas que no final dos anos 90 se uniram na luta por seus direitos e igualdade de sexo, ou seja, existia o “movimento feminista”, voltado para transformar a condição feminina tradicional, como por exemplo, o fato da mulher ser vista apenas como educadora dos filhos, como mãe, as feministas criticam esse conceito e reforçam que o filho pertence à mãe e ao pai, cabendo aos dois a educação do mesmo. O feminismo combate o preconceito à mulher, a atribuição que é dada ao sexo feminino, de que a mulher é mais meiga, delicada e frágil. Em paralelo, surgiu o “movimento de mulheres”, composto por mulheres da periferia buscando melhores condições de vida e todo tipo de assistência social.

Para os dias atuais, podemos fazer um balanço do movimento feminista e chegar a conclusão que muitas coisas importantes foram conquistadas e muitos direitos adquiridos. A conquista do século XXI, a Lei Maria da Penha, talvez seja a mais importante, a mesma alterou o Código Nacional Brasileiro e possibilitou que agressores de mulheres em caso doméstico e familiar, sejam presos em flagrante ou tenham sua prisão preventiva decretada.

No entanto, a participação das mulheres no parlamento, ainda é precária em quase todo o mundo, de maneira que as feministas continuam sua luta para acabar com a desigualdade que ainda permanece.

O Brasil é um dos países com menor representação de mulheres nos Parlamentos, estando em 106° no ranking mundial e penúltimo na América Latina (levantamento divulgado pela União Interparlamentar UIP).

Nas eleições de 2006, somente 2.499 mulheres (13,8%) foram candidatas sendo 2 à Presidência, 26 aos governos estaduais, 35 ao senado, 652 à Câmara Federal e 1.784 às Assembléias Legislativas. Um dos fatores que tem contribuído para o baixo número de candidatas ocorre em função dos partidos não cumprirem a lei de cotas de 30% de mulheres nas candidaturas. Porém, com a reforma eleitoral de 2009 (Lei 12.034), a cota tornou-se obrigatória e os tribunais eleitorais devem exigir o seu cumprimento.

Esta e outras mudanças, como a reserva de 5% do Fundo Partidário para a formação política das mulheres e 10% do tempo de propaganda (exceto em anos eleitorais) para promover a participação das mulheres, podem ajudar a aumentar o número de mulheres candidatas e eleitas.

Para o CFEMEA (Centro Feminista de Estudos e Assessoria), enquanto a presença e a participação política das mulheres não forem encaradas como parte essencial do sistema democrático, não alterarem suas percepções e ações sobre o assunto, as mulheres continuarão excluídas do parlamento e do poder.

A eleição da presidenta Dilma Rousseff, foi algo muito comemorado por feministas de todo o país, primeiro por se tratar de uma conquista inédita e também por uma mulher ter a possibilidade de provar o “poder” de governar uma nação.

Em seu primeiro pronunciamento oficial, a presidenta disse que honrará o compromisso antes firmado com as mulheres “gostaria que pais e mães das meninas pudessem olhar no olho delas e dizer ‘ sim, você pode”.

Contudo, para o sociólogo Arakin Monteiro, a eleição de Dilma não trará mudanças no que diz respeito à questão de gênero (homem-mulher), ou seja, ele acredita que as transformações que ocorrerão, estarão mais ligadas à sua orientação política e suas articulações, que propriamente ao sexo da governante.

Feministas de todo o Brasil estão otimistas e já vislumbram dias melhores e grandes avanços no que diz respeito à mulher no poder. Membros de diversas associações e organizações voltadas a mulher, acreditam que o Brasil está apenas no começo de uma grande transformação que está por vir, uma vez que no mundo, tais mudanças já começaram.

Na Argentina, a então presidente Cristina Kirchner, foi eleita em 2007, sendo a primeira mulher eleita pelo voto direto no país, na Alemanha a chanceler desde 2005 Angela Merkel contrariando o estereótipo de sexo frágil, mandou as tropas alemãs para a guerra no Afeganistão e o Chile que teve Michelle Bachelet como a primeira mulher, na América Latina, a ocupar o cargo de Ministra da Defesa em 2002 e posteriormente em 2006 tornando-se a primeira presidente do país.

O grande passo já foi dado com a eleição da primeira presidente do Brasil e com o número de mulheres no congresso aumentando, é possível dizer que os próximos anos serão de mudanças e renovações.



Por Daniele Azevedo


Do Feminismo ao Poder: Mulheres na Política

Feminismo no Mundo

Feminismo “é um movimento político e social que busca a igualdade entre homens e mulheres”, seus atores sociais são mulheres que inconformadas com a desigualdade existente, inicialmente na esfera social, se articulam e reivindicam direitos iguais.

Estudos sobre o movimento relatam lutas das mulheres na busca por seus direitos nos séculos XV e XVIII, sem ainda se caracterizar como movimento feminista. Na França, Olympe de Gouges escreve o manifesto “Declaração dos direitos da mulher” para contrapor a declaração de direitos do homem e é decapitada. Na Inglaterra, Mary Wolstonecraf escreve “ A Vindication of the rights of women” (Uma reinvidicação dos direitos da mulher), que defendia a educação para meninas enfatizando o seu lado humano.

O movimento feminista tal qual conhecemos surgiu em Nova Iorque na convenção de Direitos da Mulher em 1848, organizado por Lucrettia Mott e Elizabeth Cady Stanton, essa denunciava as restrições política as quais as mulheres eram submetidas, como não votar ou filiar-se a qualquer organização política.

Maggie Humm e Rebecca Walker, defensoras do movimento, os divide em três ondas: a primeira teria ocorrido no século XIX e início do século XX, nos Estados Unidos e Reino Unido, nessa fase reivindicava-se a igualdade contratual (mulheres casadas só conseguiam vender propriedades com autorização de seu marido) e o fim dos casamentos arranjados.

A segunda onda ocorre entre as décadas de 1960 e 1980 e busca o fim da discriminação e a igualdade dos sexos. Nesse mesmo período, ocorre o surgimento da pílula que traz a liberação sexual e no meio intelectual, publicações como “O Segundo Sexo” de Simone Beavouir e “Mística do Feminino” de Betty Friedan são os destaques dessa fase.

Vale lembrar aqui que as constituições liberais dos países asseguravam direitos aos homens até essa época, mas na década de 1960 as mulheres saem às ruas para mudar essa realidade, buscam equiparação salarial.

A terceira onda começa no início dos anos 1990 e se estende até os dias atuais. Ela busca superar falhas da segunda, colocando em questão a política e abrindo discussão para o que realmente é importante à mulher. Tais pontos são tidos como mais importantes: a questão cultural, social e política.
Por Daniele Azevedo

quinta-feira, 9 de junho de 2011

A Criação da Lei Maria da Penha

No dia 7 de Agosto de 2006 foi sancionada pelo Ex-Presidente Luis Inácio Lula da Silva a lei 11. 340, batizada como “Lei Maria da Penha”.
Em 2010, Maria da Penha Maia Fernandes lançou o livro “ Sobrevivi, posso contar” com toda a sua trajetória como sobrevivente de violência doméstica
 Atualmente Penha se dedica à causa da proteção ás mulheres, palestrando pelo Brasil inteiro sobre sua história. O foco é ajudar as pessoas que sofrem com esse tipo de violência, seja ela física, psicológica ou sexual.


A delegada Márcia Salgado fala sobre o contexto da criação dessa Lei:


O dia 25 de Novembro foi escolhido como Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Dirigindo uma cegonheira

Maria José Marinho, uma goiana de 40 anos sai quase todos os dias do pátio da transportadora de veículos Transzero, em São Bernardo do Campo (SP).  Sempre maquiada e bem vestida. Tanta vaidade pode até não condizer com sua profissão, mas Tuca, como é mais conhecida, é cegonheira. Uma das poucas mulheres num universo de 3.500 homens que transportam carros recém-nascidos às mais distantes regiões do país.


Quando nos falamos ela tinha acabado de chegar de Gravataí (RS). Trouxe um carregamento de 11 Celtas da fábrica gaúcha da GM. No trajeto,ela nos contou que teve de desviar de fios de alta tensão e árvores baixas, e passar por ruas estreitas, e ainda logo na chegada ao pátio, Tuca precisou encarar uma missão aparentemente impossível: esterçar numa rua superestreita com uma carreta de 22,4 metros de comprimento e 4,7 m de altura –  quando carregada. Para complicar, a ruela estava repleta de caminhões. Mas com prática e experiência, ela não teve dificuldade. “Essa vida de artista não é fácil, não”, brinca.


Maria José Marinho caminhoneira - dirige uma cegonheira
E é preciso muito engenho e arte mesmo, pois os carros são transportados sem nenhuma proteção. Se houver qualquer dano à pintura dos veículos, poderá “sobrar” para a motorista. Tuca se garante: nunca entregou carro com defeito, exceto uma vez em que precisou jogar a carreta para a direita ao ser surpreendida por um “barbeiro” na contramão. Na arriscada manobra, um dos veículos na parte de cima teve a pintura arranhada. Ela teve de ir a uma delegacia para registrar boletim de ocorrência, procedimento padrão nas empresas de transporte. Em casos como esse, ou de roubo, a transportadora cobre o seguro do carro.


E com o pé, ou melhor, as rodas na estrada, é preciso ser rápido. O dia começa cedo e deve ser bem aproveitado, pois as restrições nas rodovias não permitem rodar com o caminhão carregado depois das 18 horas. “Tenho que andar bem, não posso perder tempo durante a viagem.” Palavra de quem pilota uma cegonha até 12 horas por dia. Os cegonheiros têm até sete dias para chegar ao local de entrega. Os motoristas demoram seis dias para entregar a carga no percurso mais longo, de São Paulo a Macapá, no Amapá - trajeto que inclui até balsa no rio Amazonas.


O traje para a operação de descer os carros da carreta. é jeans, camiseta, tênis e boné. No momento de descarregar, a dominação feminina fica quase explícita. Ali, é a mulher quem dá as ordens aos chapas (rapazes que ajudam na descarga dos veículos). Como a carreta deve ser operada, quais carros devem ser retirados primeiro...
Sem a ajuda dos chapas, ela levaria 45 minutos para descarregar tudo sozinha. Se você pensa que a parte difícil do trabalho é o tamanho do caminhão e o alto valor da carga, para ela não é bem assim. Tuca conta que o mais complicado é enfrentar a falta de infraestrutura dos postos de combustível nas estradas, que não oferecem banheiros e restaurantes de qualidade para os motoristas – menos ainda para uma dama. Muitos postos não têm sistema de segurança ou vigias, o que preocupa os cegonheiros. “Sempre me programo para parar em postos conhecidos, que tenham boas acomodações e sejam seguros.”


A estrada reserva muitas surpresas. Além das más condições de algumas rodovias, os motoristas têm de lidar com o risco de acidentes. Para quem está atrás do volante, a atenção tem de ser proporcional ao tamanho do veículo. Mesmo com cautela, Tuca não está imune. Há sete meses, sofreu um acidente a caminho de Curitiba (PR). Caiu numa ribanceira de 15 metros e ficou dependurada, por sorte com a cegonheira vazia. “Fui salva por Deus e o cinto de segurança”. Como prova de que as viagens são sempre imprevisíveis, fomos interrompidas no meio da entrevista pela filha do chefe de Tuca. Ela recebeu um telefonema do pai, que estava numa balsa desgovernada no rio Amazonas. Só mais tarde soubemos que os operadores da balsa haviam aportado em segurança.

Cabine, doce lar
Tuca nos contou também sobre a cabine do caminhão, onde passa grande parte de seu tempo. A cabine é local de trabalho e casa. Com direito a banco ajustável ao peso e altura, e o volante com regulagem de distância. Em sua frente ficam todos os botões de comando do “cavalinho” e da carreta. O ambiente restante é sua moradia. Para se sentir mais confortável, fez algumas adaptações: colocou uma cama maior com um colchão mais macio, além de um armário na parte superior da cabine, onde guarda roupas, sapatos e revistas de culinária.
 
Muito vaidosa Tucá sempre repete: “Não quero parecer um homem. Se tenho tempo, dou uma escapadinha no salão de beleza”. E sempre se lembra de seus João Vitor e Letícia, de 18 e 22 anos.


Apesar de já ter sofrido bastante preconceito desde que começou na profissão, há 13 anos, Tuca conquistou seu espaço num universo masculino. Mas não foi fácil. Uma vez ouviu de um colega que estava tomando o espaço de quem realmente precisa trabalhar. “Estou aqui porque escolhi e porque é mérito meu. Eu sempre quis fazer o melhor”, disse. Aliás, já foi alvo de preconceito até de mulheres. Chegou a perder o emprego por não ser aceita pela esposa do futuro patrão. “As mulheres têm ciúme de mim”, afirmou.

Mas hoje ela se diz respeitada e admirada por onde passa. “As pessoas ficam impressionadas quando me vêem dirigindo um caminhão tão grande.”
Nos contou que em seguida seguiria para Belém, no Pará. Com uma parada importantíssima no meio do caminho, em Goiânia. Para matar a saudade dos filhos, é claro.

“eu conheço cada palmo deste chão é só me mostrar qual é a direção quantas idas e vindas, meu Deus, quantas voltas viajar é preciso, é preciso...”
(“O Frete”, de Roberto Teixeira)



Por Nicole Azevedo

quinta-feira, 26 de maio de 2011

A revolução das mulheres idosas no século XXI


Um dos principais motivos de comemorar o dia 1° de outubro, dia internacional do Idoso, está no futuro. Nos próximos vinte anos, pesquisas apontam que mulheres maiores de sessenta e cinco anos obterão destaque e força no mercado consumidor.

As mulheres idosas podem até parecer frágeis, mas não são. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Brasil, cerca de 37% das mulheres acima de sessenta anos são responsáveis pela renda familiar.Com mais autonomia, objetividade e independência econômica, elas mudam as regras da sociedade atual.

O mito da velhice como sinônimo de doença, solidão e dependência, deve desaparecer em breve, já que a expectativa de vida do ser humano deve chegar próxima aos cem anos.

Diante da melhor qualidade de vida adquirida com os avanços da medicina, elas levam hoje a vida de forma autônoma, conquistando a cada dia o igualitarismo. No futuro, certamente essas mulheres ocuparão lugares de destaque nas diversas esferas políticas, econômicas e sociais.

A idade da velhice será vista como a “idade do poder”

O cenário acima não é ilusório. Vem com base em pesquisa de cobertura internacional, entre elas está à que foi realizada pelo instituto Sodexho para o Desenvolvimento da Qualidade de Vida no Cotidiano, que teve lançamento em todo o mundo em vinte e dois de setembro de dois mil, instituto esse, líder mundial no setor de alimentação e serviços que envolvem benefícios aos colaboradores de diversas empresas que trabalham com mulheres idosas.

O estudo, que envolveu mais de onze países, direcionará as ações da empresa ao seu público, como destaca Plínio de Oliveira, diretor geral da Sodexho do Brasil “Nossa maior meta é agregar ao conhecimento atual mais informações e dados, e principalmente levantar questões importantíssimas em nível internacional, chamando de um modo geral a atenção da sociedade civil”.

Nos próximos anos o Instituto Sodexho realizará duas pesquisas por ano sobre temas ligados a qualidade de vida no cotidiano, as expectativas e os comportamentos no presente e futuro da população de todo o mundo.

A instituição deve trabalhar em conjunto com diversos órgãos internacionais, como a ONU, UNESCO e OMS, além de estudiosos e pesquisadores de renome, dos onze países que estão na pesquisa: Alemanha, Bélgica, Brasil, Canadá, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Holanda, Reino Unido e Suécia.

No mundo existem cento e um milhões de mulheres com mais de sessenta e cinco anos, representando 19% das quinhentos e quarenta milhões de mulheres no mundo. Todos esses países acumulam 55% do PIB de todo nosso planeta, e suas idosas detém 5,3% do poder econômico.

Conforme a pesquisa, ocorreu uma grande melhoria na qualidade da vida dessa faixa etária nos últimos trinta anos. “Não estamos mais nos tempos das velhas, em 1970, para o tempo da Terceira Idade, nos anos 80, junto do tempo dos Seniors atuais”, explica Eloisa de Souza Arruda, Secretaria de Estado da Justiça do Estado de São Paulo. “Em 2020, alcançaremos a idade do poder, quando a vida profissional se encerrará apenas aos oitenta anos e as idosas será o centro da organização da sociedade” completa.

Crescimento e poder econômico

A resposta do estudo mostra uma verdadeira explosão não apenas da grande quantidade de maiores de sessenta e cinco anos em todo o planeta, os países que foram estudados o numero passou dos atuais 101 milhões para 168 milhões em 2020, mas também do poder econômico, político e social desse segmento.

De acordo com a Sodexho, o setor mundial de alimentos e dos serviços de benefícios para idosos está avaliado em mais de cento e quarenta e seis bilhões de Francos (21,5 bilhões de Euros), onde os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França representam próximo de dois terços desse mercado avaliado.

A esperança e visão da empresa é que, com o envelhecimento crescente da população feminina mundial, esse mercado continue a crescer chegando ao ano 2012, a 27% na Espanha, 13% no Reino Unido, 3% na França, 3% na Itália e 1% na Bélgica.

Nos Estados Unidos, o mercado em questão cresce três a quatro vezes mais rápido do que os hospitais tradicionais. Outro quesito que mostrou na pesquisa é que atualmente mais de 9% do mercado total de refeições e benefícios as idosas em todo o mundo são feitos por contratações terceirizadas internamente. Os mercados mais terceirizados são o Canadá (22%), França (19%) e Itália (19%). Nos países pesquisados aumenta o numero de moradias para mulheres idosas que optam pela terceirização. Para ter uma idéia do progresso e expansão desse mercado em questão, só na Holanda ele deverá crescer 302 % em 2012.

Os resultados do Brasil

 Recentemente foi feito um levantamento chegando à conclusão que atualmente, existem no Brasil 8,9 milhões de mulheres com idade superior a sessenta e cinco anos, representando 5,2% da população em um todo. Em aproximadamente vinte anos, esse segmento irá se multiplicar mais e será superior a 150%, atingindo cerca de 22,9 milhões de mulheres.

A quantidade de mulheres idosassuperior a oitenta anos triplicará, pulando de 1,3 milhão atualmente para 4,5 milhões. Ao chegar 2020, a mulher brasileira viverá em média 89,6 anos, batendo os 63,6 anos atuais, e os homens atingirão a expectativa de vida em torno de 82,2 anos, batendo os 70,4 anos de hoje.

Por Cesar de Paula

As mães e o mercado de Trabalho



Num mercado cada vez mais competitivo, as mulheres trabalham igual aos homens e busca sua equiparação, seu aperfeiçoamento profissional. Casadas e bem estruturadas percebem que é hora de ter filhos, ficando a dúvida de como a empresa vai receber sua decisão, já que, para algumas corporações isso se trata de aumento de contas e pode influenciar no orçamento da companhia com gastos de convênios médicos, creche etc.
          
 O período de gestação é tratado por algumas grávidas como uma enfermidade, que as impossibilita de fazer seu trabalho, mas que na verdade não tem nada a ver, a gravidez é um período e se fizerem todos os tratamentos não a nada que as impossibilitem. As empresas se prejudicam por não ter a colaboradora naquele exato momento no seu ambiente de trabalho dificultando no seu crescimento e em futuras promoções, fazendo com que o custo aumente em relação ao período anterior já que, o seu quadro de colaboradoras não está completo.
            
Segundo a Administradora de empresas Elaine Lecheche, diz que “de fato existem mulheres que se aproveitam da situação, do seu estado para conseguir ficarem alguns dias em casa, proveito próprio, mas que não podemos generalizar.”
      
Se tratando da perda da empresa no que se refere a sua economia, a empresa que atua no ramo do comércio perde dinheiro pelo fato de ter uma atendente (vendedora) a menos no seu quadro de colaboradoras que poderia contribuir no orçamento da empresa, mas que naquele momento não pode estar no seu ambiente de trabalho. Mas quanto ao valor que ela custa para a empresa (governo/salário) sendo o mesmo, pois cada funcionário custa o dobro para a empresa.
              
Conversando com a jovem Rosana Rodrigues da Silva, que está grávida de 5 meses e que trabalha como caixa em uma empresa, ela nos conta que “ eu nunca sofri nenhum tipo de discriminação, pelo contrário, aqui todos me ajudam, não deixam eu ficar abaixada para guardar alguma coisa, falam para eu não pegar peso, enfim ficam sempre me vigiando. Ela nos conta também que já ficou alguns dias afastada, mas que não passou de uma semana.
       
Fala também que quando ingressou na empresa na hora do recrutamento, tinha duas moças com ela e a entrevistadora perguntou se as mesmas já tinham filhos, final da história ela passou e as outras não.
      
Para a pedagoga Suzana Oliveira que nos diz que, discriminação não, algumas empresas exigem pessoas mais jovens e que tenham disponibilidade sem comprometer a família em se tratar se a funcionária sofre alguma discriminação por estar grávida, e por outro lado é de salientar que também é visto que mulheres que tenham filhos demonstram-se mais responsáveis.
Perguntando-se se ela acha que a mulher que possui filhos atrapalha na economia da empresa ela nos diz que, há empresas que se preocupam com o bem estar de cada um. E claro que terá um pouco de gasto, mas não é tão relevante, até porque todas as mulheres desejam ser mães, não podendo haver limitação.
        
Segundo pesquisa realizada pela consultoria Regus, em pleno século XXI uma preocupação jurássica dos empresários tem  vez quando a contratação de mães. A pesquisa mostra que a quantidade de empresas que pretendem contratar mais mulheres com filhos caiu em um quinto em relação ao mesmo período do ano passado.
             
Ainda referente a pesquisa em 2010, 44% das empresas pretendiam contratar profissionais com filhos, mas agora no inicio de 2011 somente 36% das corporações continuam pensando da mesma maneira.
             
Estatísticas que preocupam grupos e associações de mulheres, já que de modo geral, as estimativas de contratações no fim do ano costuma ser favoráveis nessa época acelerada da economia.
           
A economia cresce e com ela aumenta o número de mulheres que buscam a sua reintegração e emancipação perante a sociedade que dita que os homens são responsáveis pelo seu crescimento. Pensamento esse que ainda existe em pleno século XI, contudo que aos poucos vai sendo quebrado.
            
Mulheres essas, que sofrem com a violência doméstica, com maus tratos. Leis são feitas e elas se sentem mais seguras, como a Lei Maria da Penha, que leva o próprio nome da mulher que sofreu, mas que não perdeu sua dignidade e lutou pela sua implantação.
       
Os filhos fazem parte dessa grande virada de sua vida, pois quando a mulher se torna mãe, por mais jovem que seja ou inexperiente é impossível ela não se identificar com a nova fase de sua vida. O seu esforço em permanecer no trabalho e conseguir seu crescimento ultrapassa todas as etapas. Tornando-se a criança  fonte de inspiração para conseguir driblar todos os preconceitos que são impostos pela sociedade atual.



Por Ana Lima

As Mulheres atuantes no mercado de Tecnologia



O mercado de Tecnologia da Informação ainda tem participação feminina bastante reduzida, mas quais são as causas dessa realidade? Como se sente as mulheres que trabalham na área?

Tecnologia da Informação é um mercado relativamente novo, o primeiro computador surgiu há 65 anos. Tudo é inovação e o mercado muda com velocidade extraordinária. Aqui surge o primeiro problema e uma grande oportunidade: a mão de obra é escassa, um problema para as empresas e um mercado atraente e lucrativo para quem busca um emprego na área de tecnologia.

Onde a mulher se encaixa em tudo isso? Analisando a história na área de tecnologia da informação encontramos – Ada Lovelace – escrevendo instruções para uma maquina idealizada por Charles Babage em 1833, Lovelace é considerada a primeira programadora da historia, conceitos criados por ela são usados até os dias atuais para a criação de alguns programas.

Mas atualmente como está a participação delas na área de tecnologia? Há quem diga que a indústria de TI carrega um forte traço machista, não por preconceito, mas por herança cultural, já que a área de exatas sempre foi um campo masculino, no entanto nos últimos anos a presença feminina nos cursos de exatas vem aumentando e as empresas de TI têm buscando incentivar seu ingresso no mercado.

Quando perguntamos a que se deve a pequena participação da mulher no setor obtivemos das atuantes na área as seguintes respostas “é desinteresse mesmo, é natural que o curso de exatas receba muitos mais alunos que alunas, assim como os cursos de enfermagem e pedagogia recebem muitas alunas” – Roberta Arcoverde analista de sistemas da empresa RADIX. Na mesma linha seguem suas colegas Turah Almeida e Juliana Acchar que acrescenta “as mulheres são bem vistas no mercado já que são minoria”.

Para quebrar um pouco essa visão resolvemos conversar com os homens e ver qual a visão deles em relação das colegas no setor. Daniel Dias tem a seguinte opinião às mulheres sentem-se sim discriminadas por ser minoria, mas recebem melhor porque estudam mais. Essa preparação faz com que no mercado de “homens” as mulheres comecem a chefiar “na empresa que eu trabalhava tinha uma chefe” diz Dias.

Daniel Dias - Analistas de Sistemas - Arquivo pessoal                         

O setor segue a seguinte linha para cada dez trabalhadores na área um é do sexo feminino na visão de Dias “se uma empresa tem 500 funcionários, tirando as mulheres de outros setores 50 estarão na área de tecnologia.”
Levantamento da Catho online mostra o crescimento das mulheres no mercado de trabalho brasileiro, no entanto na área de tecnologia atualmente são apenas 12,56%.

Mulheres x Mercado de Trabalho
Área
2011
Administrativa
45,61%
Comercial
30,17%
Tecnologia
12,56%
Relações Públicas
54,71%
Suprimentos/Compras
22,49%
Jurídica
37,05%
Industrial/Engenharia
16,32%
Recursos Humanos
60,86%
Medicina e Saúde
44,62%
Educação
65,76%
Turismo
52,20%


O fenômeno não é local, a falta de interesse nesse ramo de atividade é mundial, mas, existe mobilização das próprias mulheres que trabalham em tecnologia para incentivar o ingresso dessas no mercado, segundo alguns sites especializados.

Discriminação


Quando se analisa o mercado de TI a primeira pergunta que se faz é há discriminação masculina em relação à participação feminina no mercado? A analista de sistemas Juliana Acchar – RADIX afirma “Pessoalmente nunca sofri nenhum tipo de discriminação, vejo que há um tratamento igual para ambos os sexos e, se faltar conhecimento, será problemático para os dois lados também.

A realidade para as profissionais é que não há discriminação, são bem vistas por serem minoria, afirma Acchar talvez não seja uma opinião unanime mas a maioria das mulheres na área tem essa mesma visão.

E o interesse na formação e ingresso no mercado de tecnologia tem crescido? As respostas variam, Acchar acredita que o interesse não tenha aumentando, ao menos não significativamente e se impressiona “o curioso é saber que as mulheres são maioria nas redes sociais”. Pesquisa realizada pela Consultoria especializada em mídias sócias – Cmetrics revela que do 90% de internautas com perfis cadastrados nas redes sociais apenas 16% produz conteúdo e são na maioria mulheres entre 18 e 24 anos, a pesquisa foi realizada em dezembro de 2010 com 2,4mil internautas brasileiros.

Na visão de Almeida o interesse tem aumentado sim não só pelo desenvolvimento das redes sociais mas, pelo surgimento de diversas áreas como web, design, jogo, mobilidade.

O ingresso no setor conta com as mesmas dificuldades tanto para homens como para mulheres que devem ser flexíveis e estarem abertos as mudanças a analista Roberta Arcoverde ver até mais fácil o ingresso feminino pelo fato de o mercado ser carente de mão de obra feminina e as empresas sentirem necessidade de diversificarem suas equipes.

Para o futuro nas empresas de Tecnologia devido ao crescente interesse feminino no setor, esperam-se mais mulheres em cargos de chefia, já “as características femininas aliadas ao bom conhecimento técnico é a receita para o sucesso” afirma Juliana Acchar.


Por Cácia Oliveira

Mães Paulistanas recebem apoio da Prefeitura de São Paulo

O momento de dar a luz é único e especial para qualquer mulher. Infelizmente nos dias atuais muitas dessas gestantes não dispõem recursos financeiros para que o desenvolver da gravidez ocorra com tranqüilidade.


Diante de dificuldades, centenas de mulheres têm recebido assistência integral desde o momento do da fecundação até o nascimento do bebê, através do Programa Municipal Mãe Paulistana.


Créditos: Prefeitura de São Paulo


O principal motivo do programa é atender pessoas de baixa ou nenhuma renda, acompanhando de um modo geral os atendimentos prestados as gestantes no período pré e pós- natal e aos bebês, durante seu primeiro ano de vida.

O sistema disponibiliza atendimento nas Unidades Básicas de Saúde, ambulatórios especializados e hospitais do SUS (Sistema Único de Saúde), como explica a médica obstetra Márcia Besteiro. “Todas as pacientes são acompanhadas de perto para que nenhuma delas deixe de realizar os exames necessários durante a gravidez.”

A especialista destaca que mensalmente são realizamos levantamentos dos atendimentos prestados de acordo com as unidades preparadas pelo programa, chegando a conclusão de existem cerca de oitenta mil gestantes em acompanhamento e são feitos quase dez mil partos por mês.

   A rede conta com 407 Unidades Básicas de Saúde, 34 Hospitais da rede SUS e 22 Ambulatórios especializados e a expectativa é conquistar mais recursos no decorrer dos anos como explica a coordenadora do Mãe Paulistana, Maria Aparecida Orsini de Carvalho. “Já conquistamos muito, hoje, por exemplo, um dos principais benefícios do programa é o acompanhamento médico, as pacientes hoje têm onde dar a luz além de passarem antes do parto por no mínimo sete consultas durante a gravidez”.


Desde seu início, em março de 2006, a Rede de Proteção à Mãe Paulistana é considerado prioritário pela administração de acordo com o secretário-adjunto de Saúde, Nilson Ferraz Paschoa. "Quando falamos do programa, além da sua importância social inquestionável, estamos falando de números superlativos. Foram mais de 338 mil ultra-sons já feitos. E depois que o bebê nasce, no seu primeiro ano de vida, ele continua tendo consultas de reavaliação - essas já foram mais de 160 mil".
De acordo com o Nilson Ferraz, o projeto ainda atua em várias frentes. "Tudo começa pelo pré-natal, fundamental para garantir que o parto transcorra bem. O programa também facilita o acesso das gestantes ao vale-transporte: já foram mais de 260 mil cartões da SPTrans entregues, o que possibilitou mais de 1,9 milhão de consultas de pré-natal. Depois do parto - em que a mãe já sabe antecipadamente onde vai dar à luz -, ela recebe o enxoval, com 16 itens necessários nos primeiros meses. Então é um programa essencial e que vai continuar crescendo".

E o Secretario Municipal de Saúde da cidade de São Paulo, Januário Montone  ainda acrescenta. “Temos um objetivo na secretaria e no projeto até junho deste ano de 2011, estamos prevendo 60 mil nascimentos através do programa, e com a parceria firmada junto à divisão de assistência social poderemos acompanhar e ajudar nas necessidades que uma mãe precisa para ela e seu bebê recém-nascido. Hoje eu posso dizer que a media mensal de nascimento de bebês pelo programa e de 10 mil mensais, isso sem levar em conta as que não estão no programa”.

Ampliação e controle do Programa Mãe Paulistana

Fruto de uma lei criada pelo vereador Carlos Bezerra Junior o Rede Mãe Paulistana gerou uma grande melhoria na qualidade de vidas das gestantes de baixa renda como observa o político.“Nós temos uma população crente, muitas mulheres gestantes são companheiras de presidiários e não trabalham, não tem nenhuma fonte de renda eu já fui medico de periferia e na minha atuação que o grande publico eram gestantes, pude participar da realidade que essas “Mulheres de coragem” passam, muitas delas são agredidas diariamente por seus companheiros e não recebem apoio da família. Estou orgulhoso de ter criado uma lei a tratamento e acompanhamento digno que desde 2006, tem sido respeitado e cumprido pela Prefeitura do Município de São Paulo, através do programa Mãe Paulistana.”.
Um estudo do do programa mostrou que a queda de mortalidade materna e infantil na cidade, passou de 14% para 12,9% - a maior diminuição desde 2000.

A resposta do mapeamento e estudo mostrou uma verdadeira explosão não apenas da grande quantidade de gestantes cadastradas em todo o território paulista, os bairros que estão localizados na periferia que foram estudados e mapeados teve o resultado de um grande numero de gestantes que saíram da dependência química para o tratamento de suas gestações, o motivo esse que afirmaram ter recebido atenção e cuidado necessário para com suas gestações.

A esperança e visão do vereador Bezerra Jr. é que, com o crescimento e ampliação do programa e a crescente população gestante, esse programa tem tudo para serem expandidas em todo o estado de São Paulo, virando assim um programa estadual dedicado às mães de todo o estado.

A lei também garante o transporte gratuito para que as gestantes em hipótese alguma faltem as suas consultas de pré-natal, entrega de remédios durante a gravidez, exames de rotinas e avaliações. A solicitação e realizada junto a SPTRANS, empresa responsável por transportes no município de São Paulo, somente após o cadastramento no programa que e possível à aquisição do bilhete único “Mãe Paulistana”.


Os resultados do programa

Recentemente foi feito o levantamento chegando à conclusão que atualmente, existem no município de São Paulo, onde mais de 500 mil mulheres gestantes foram atendidas pelo programa, tiveram 94% de aprovação da população paulista, distribuição de mais de 500 mil enxovais, mais de 400 mil emissões de bilhetes únicos especiais do programa Mãe Paulistanas e mais de 300 mil inclusões no programa bolsa família com a parceria da divisão de ação social do município de São Paulo.


Por Cesar de Paula

segunda-feira, 23 de maio de 2011

A reintegração das mulheres depois dos 40 anos de idade no mercado de trabalho

No Brasil existe o preconceito de que mulheres que passam dos 40 anos são consideradas velhas para ocupar certos cargos em determinadas empresas. Mas isso já faz parte de outrora, pois o mercado de trabalho vem crescendo a cada dia que passa e esse estereotipo está sendo quebrado, pois empresas estão contratando pessoas com mais idade, principalmente mulheres. E se tratando de outros Países, “a mulher de 40” como é chamada na música do cantor Roberto Carlos, é valorizada não por sua idade, mas por tempo de trabalho e pela sua capacidade de produzir e de conhecimento em determinadas áreas.

A busca pelo emprego e pela sua profissionalização começa a partir do momento em que muitas mulheres se separam ou o dinheiro da família fica escasso, tendo assim que sair de casa e procurar um acesso mais rápido no mercado de trabalho, uma vez que quando casada, as mulheres têm a necessidade de dar uma parada em sua vida profissional para cuidar dos filhos ou até mesmo a pedido do marido que não quer que a mesma trabalhe.

Como no caso da Técnica de Enfermagem Mara Borges de 58 anos, que nos conta como conseguiu se profissionalizar depois dos 40 anos, “fiz a oitava série depois o colegial e sempre tive vontade de fazer o curso de auxiliar de enfermagem, mas cuidava dos meus dois filhos e não tinha tempo, mas depois de um tempo quando eles já estavam independentes e já trabalhavam eu finalmente decidi fazer o curso, já que estava em uma idade em que o emprego era difícil, e as empresas não me contratavam pois não tinha experiência. Nesse meio tempo trabalhei em uma escola de Inglês em que os meus chefes eram amigos dos meus filhos, ficando fácil o ingresso no curso de auxiliar de enfermagem”. Mara nos conta que no começo, a sua família achou que se tratava apenas de um passa tempo, mas no final foram aceitando.

“Depois de um tempo acabei o curso e logo em seguida consegui trabalho no mesmo hospital onde tive minhas aulas práticas, fiquei um tempo como auxiliar e posteriormente me tornei Técnica de Enfermagem. Trabalho a oito anos no mesmo hospital, no ambulatório do SUS com cirurgia geral, cirurgia plástica, cabeça, pescoço e oftalmologista, comecei com 52 anos e dia 21/06 completo 59”, conclui Marta.

As mulheres mais experientes, geralmente têm a capacidade de resolver determinados problemas com cautela e iniciativa, são cuidadosas e estão dispostas a trabalhar, pois já tem uma família e precisam do trabalho. Em pesquisa realizada pelo Grupo Catho empresa de recrutamento e seleção, as mulheres conquistam cargos de direção mais cedo. Tornam-se diretoras, em média aos 36 anos de idade. Os homens chegam lá depois dos 40.

Ela está disposta a conseguir novamente seu crescimento, ainda que tenha que passar por uma redescoberta, mudando seus horários, procurando sempre se adequar. As mulheres experientes assim como as mais jovens passam por conflitos na hora de retornar ao trabalho, se deparam com novas ideias e pessoas. Ficam inseguras, se serão aceitas em seu novo ambiente de trabalho, ou se vão fazer as tarefas certas de acordo com o que o empregador quer.

De acordo com a psicóloga Andrea Senamo, gerente geral do departamento de pessoal de uma empresa multinacional, “esse pensamento de que a mulher que passa dos 40 anos de idade, não consegue mais trabalho, está mudando em relação aos anos anteriores, no Brasil a discriminação era grande, mas isso já faz parte do passado, basta ela querer seu espaço e buscar a sua independência no mercado de trabalho”. Ela também nos diz que quando começou a trabalhar na empresa o quadro de funcionários era mesclado, com colaboradores jovens e mais experientes, mas isso mudou com o passar dos anos.

Andrea Senamo acredita que a cada dia que passa, mais colaboradores maduros são contratados e ainda nos conta do projeto que implantaram na empresa desde o ano passado, que se chama “Projeto Talento da Maturidade”, no qual contratam colaboradores com mais experiência de vida, com objetivo de valorizar e reintegrá-los a sociedade, incentivando assim a descoberta de novos talentos, bem como oferecer oportunidades para que continuem ativos profissionalmente. Andrea finaliza a entrevista lembrando que na empresa onde trabalha não cabe a discriminação, pois todas as oportunidades são oferecidas aos mais jovens, maduros, negros e homossexuais sem nenhuma distinção.

Em se tratando da aceitação por parte dos mais jovens, as colaboradoras são bem recebidas e podem dividir suas experiências adquiridas ao longo da vida, carreira, troca de conhecimento com novas gerações.

Já para a Advogada e Socióloga, Heloisa Cestone que diz, “há empresas que sim, contratam mulheres acima dos 40 anos, dependendo do que buscam num profissional, pois pessoas mais velhas obviamente são muitas vezes mais comprometidas e responsáveis em relação ao trabalho realizado. Porém há vagas que não podem ser fechadas com pessoas desta faixa etária, pela imagem que a empresa quer passar, pelo trabalho a ser realizado, que pode muitas vezes exigir um esforço físico maior, onde sabemos que jovens executam melhor.”

Perguntei a ela se existe o preconceito na contratação dessas colaboradoras e ela nos disse “sim, ainda há o preconceito sobre esta contratação podendo ser pelo trabalho realizado, que pode exigir um esforço físico maior, por exemplo. Mas acredito que o preconceito maior é pelo fato de pessoas mais velhas, muitas vezes não saberem lidar com uma liderança mais jovem ou por ter uma opinião formada, tendo exigências maiores em relação às ferramentas de trabalho e assim por diante, não acredito que isso aconteça por julgarem não ter capacidade, mas sim por serem, muitas vezes, pessoas difíceis de lidar no cotidiano, mas é claro que não podemos generalizar”, conclui a advogada.

As mulheres são responsáveis pelo seu crescimento profissional, basta ela buscar sua equiparação.


Confira ainda entrevista com Dirce Vasssimon, gestora de RH da empresa Lucfor, sobre o assunto:
Entrevista com Dirce Vassimon by mulheresemfoco
Por Ana Virgínia